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Entrevista: Richard E. Huws

Richard E. Huws (RH) é chefe do Departamento de Serviços e Instrução ao Leitor da Biblioteca Nacional do País de Gales. Esta entrevista foi concedida por e-mail entre os dias 01 e 30 de Agosto.

Leonardo Melo (LM) : Quais os pré-requisitos para exercer a profissão de bibliotecário em Gales?

RH: Em se tratando de ganhar um posto na NLW ou em outras bibliotecas da Grã-Betanha todos os entrantes têm que ser graduados e pós-graduados no curso de Biblioteconomia, tendo diploma de mestre. A maioria do nosso corpo administrativo estudou na Universidade de Aberystwyth.
 

LM : Como está o campo de trabalho para os principiantes aí em Gales?
 

RH: A perspectiva de emprego para quem pretende trabalhar em bibliotecas está bastante boa, apesar do salário vir caindo nos últimos anos assim como o dos professores. Grande parte dos recém - formados está se empregando em outros setores como turismo e mídia, o que certamente não acontecia há 25 anos atrás.
 

LM : O que você acha mais atrativo em seu trabalho?
 

RH: É difícil pra mim dizer exatamente o que eu acho mais atrativo no meu trabalho, mas eu acho que todos os membros do corpo administrativo têm grande satisfação de trabalhar na Biblioteca Nacional. É sempre um prazer poder ajudar as pessoas daqui e de outros países como vocês. É uma grande satisfação saber que aí no Brasil existe alguém falando em mim, no meu trabalho. Nós temos muita satisfação em poder ajudar os outros e quando estes nos agradecem o serviço recebido, ficamos contentes em saber que a instituição está sendo bem-sucedida na busca pelo melhor atendimento ao usuário.
 

LM :Qual a importância do bibliotecário?
 

RH:A importância dada ao bibliotecário em Gales é amesma da maioria dos países da Europa. Nós somos vistos como pessoas capazes de promover habilidades para obter a informação requerida pelo usuário. As técnicas para atingir esse objetivo têm mudado um pouco nestes últimos anos. A automação das bibliotecas e o WWW têm facilitado o nosso trabalho. Porém, é importante que nós asseguremos que estamos realmente treinados para nos adaptar às mudanças e que nós podemos entender e explorar os novos recursos.
 

LM: A quarta lei de Ranganathan diz: "Poupe o Tempo do Leitor" .Faça um comentário sobre essa lei:

RH: Poupar o tempo do leitor é o que nós tentamos fazer da melhor maneira possível. Nossa biblioteca tem 3,5 milhões de volumes. Todos eles estão classificados eletronicamente pelo OPAC, com o objetivo de poupar otempo do leitor. Todos os nossos itens são relatados em 45 minutos, nossa taxa de sucesso na recuperação é de 95%.

LM  : E o que a Biblioteca Nacional do País de Gales tem feito no sentido de poupar o tempo do leitor?
 

RH: Nós procuramos dar a melhor assistência possível aos nossos leitores. Nossas centrais de atendimento e linhas telefônicas estão administradas por bibliotecários profissionais e todos estão aptos a responder qualquer dúvida em relação à biblioteca. Nós também temos departamentos para atender aos novos leitores, para ajudá-los a entender e usar os catálogos da melhor maneira possível. Nós também providenciamos muitos panfletos e materiais de instrução para ajudar os leitores a fazerem o melhor uso da nossa coleção. Nossa página na Internet também ajuda. Atualmente nós estamos trabalhando na sua modernização, para fazê-la mais simpática para o usuário.
 

LM : Pra você, qual a diferença entre o bibliotecário de 1970 e o bibliotecário de 2000?
 

RH: A maior diferença provavelmente é a automacão. Eu acho que os profissionais não mudaram muitode 1920 a 1970, mas nos últimos 30 anos nós temos muitas mudanças. O treinamento dos futuros bibliotecários e a padronização da catalogação são duas áreas que tiveram consideráveis mudanças. Nós agora temos que nos contentar com a catalogação internacional. Os computadores talvez tenham sido a principal mudança, agora as pessoas podem procurar nosso catálogo a muitas milhas de distância. É importante para nós, termos capacitação para expandir nossos conhecimentos de um jeito que não era possível há alguns anos atrás.
 

LM : Eu estudo Biblioteconomia há apenas um ano.Nesse período, lidando com professores e bibliotecários, eu percebi que existe um certo medo da internet.Eu, particularmente acho que a internet é um excelente campo de trabalho para o bibliotecário e acho que nós somos a melhor opção para solucionar alguns problemas da rede, como os sites de busca. Qual a sua opinião sobre isso?

RH: Eu acho que você está certo e que os bibliotecários realmente têm um pouco de medo da internet.Nós somos uma profissão conservadora e talvez não nos adaptamos bem às mudanças.De qualquer modo, eu devo dizer que eu acho que os bibliotecários têm que compreender rapidamente o potencial da internet, pois de muitas formas, a rede pode ser um excelente jeito de atrair as pessoas para as bibliotecas, para a leitura e para a informação em  geral. Para bibliotecários de meia-idade é adequado um tereinamento para ensiná-los a fazer o melhor uso das novas tecnologias. Uma vez as pessoas entendendo a internet, elas serão capazes de fazer o melhor uso dela, como de qualquer coisa que traga alguma acrescentação aos livros.Eu acho que isso não é problema para as crianças e jovens, que têm a vantagem de  aprender isso na escola.

LM : Muito Obrigado! Por favor deixe suas considerações finais e uma mensagem para os estudantes de Biblioteconomia no Brasil:

RH: Eu desejo tudo de bom para os estudantes de biblioteconomia no Brasil.Mesmo que o curso esteja dando muito trabalho, eu estou certo de que vocês vão desfrutar de um trabalho que consiste em ajudar os outros a procurar a informação que eles precisam e ajudar pessoas de todas as idades a apreciar o valor da leitura e do conhecimento. E como nós dizemos em Gales: " Pob Hwyl Gyda' Ch Astudiaethau " (sucesso em  seus estudos) .